Património

Castelo de Alcácer do Sal

LocalAlccer do Sal / Alccer do Sal
DesignaçãoCastelo de Alcácer do Sal
CronologiaSéc. XII
DescriçãoTal como outros castelos das regiões estuarinas do Sado e do Tejo (Sesimbra, Palmela, Sintra), Alcácer desempenhou um papel defensivo de extrema importância desde o califado, possivelmente aproveitando as estruturas defensivas romanas, e poderá ter funcionado com ribât (estruturas defensivas que partilhavam as funções de vigilância e controlo litorâneos com um carácter religioso), antes de se definir como hisn. A sua posição militar é reforçada durante o período almorávida. Com a conquista cristã de Santarém e Lisboa, Alcácer do Sal afirma a sua posição estratégica enquanto zona de fronteira. É neste contexto, durante o domínio almoada, que o recinto amuralhado é reconstruído. Em 1158, Alcácer era conquistada por D. Afonso Henriques e, já com Sancho I, doada à Ordem de Santiago como recompensa pelo auxílio prestado durante a conquista. Em 1191, o exército almoada reconquistou o castelo. Só em 1217 é que passou definitivamente para a posse de Afonso II. O castelo foi então reformado e ampliado. O que hoje resta do período islâmico do castelo remonta à reconstrução almoada. Subsistem os torreões nos panos sul e norte da muralha construídos em taipa militar, nomeadamente uma das duas torres albarrãs existentes originalmente na cortina sul e o torreão oitavado na cortina Norte. O castelo de Na zona virada a norte, encontram-se vestígios de antigas pinturas a cal imitando grandes silhares. No sopé da colina do castelo, foram encontradas duas estelas epigrafadas com escrita cúfica, actualmente conservadas no Museu Municipal Pedro Nunes, em Alcácer do Sal. A intervenção arqueológica no recinto do Convento de Nossa Senhora de Aracaeli, na sequência da conversão do edifício em pousada de turismo, veio revelar que este foi edificado sobre um outro de cronologia islâmica, possivelmente o al-Qasr (Palácio) islâmico. Foram ali exumados materiais cerâmicos que datam desde o séc. VIII até à primeira metade do séc. XIII, com particular relevância para a fase almóada. Predomina a cerâmica de uso doméstico (vasilhame, louça de mesa e cozinha, contentores de fogo), destacando-se, em particular, fragmentos de cerâmica esgrafitada almoada, até então apenas conhecida em Silves e Mértola; e outras fragmentos de cerâmica branca com reflexos dourados, com paralelo também em Silves e Mértola. No interior do castelo, não muito longe do convento, foi descoberto um tabuleiro do jogo de alquerque, do séc. XII-XIII.
BibliografiaCláudio Torres e Santiago Macias, O legado islâmico em Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores, 1998, pp. 132-133; Isabel Cristina Ferreira Fernandes, “Castelo de Alcácer do Sal", in Discover Islamic Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014; António Cavaleiro Paixão e António Rafael Carvalho, "Cerâmicas almoadas de Al-Qasr Al-Fath (Alcácer do Sal)", Garb. Sítios Islâmicos do Sul Peninsular, Lisboa, Mérida, IPPAR, Junta de Extremadura, 2001, pp. 199-230; Isabel Cristina Ferreira Fernandes, "Aspectos da Litoralidade do Gharb Al-Andalus: os portos do Baixo Tejo e do Baixo Sado", Arqueologia Medieval, 9, 2005, pp. 53, 56-57; Jacinta Bugalhão e Isabel Cristina Fernandes, "A cerâmica islâmica nas regiões de Lisboa e Setúbal", Arqueologia Medieval, 12, 2012, p. 81; António Cavaleiro Paixão, João Carlos Faria e António Rafael Carvalho, "Contributo para o estudo da ocupação muçulmana no castelo de Alcácer do Sal: o Convento de Aracoelli", Arqueologia Medieval, 7, 2001, pp. 197-209; António Rafael Carvalho e João Carlos Faria, "Fragmento de um Tabuleiro de Jogo de "Alquerque de Nove" proveniente do Castelo de Alcácer do Sal", Arqueologia Medieval, 7, 2001, pp. 211-215; Maria Filomena Barata (coord.), Roteiro. Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal, Lisboa, IGESPAR, 2007; António Cavaleiro Paixão, João Carlos Faria e A. Rafael de Carvalho, "Aspectos da presença Almóada em Alcácer do Sal", Mil Anos de Fortificações na Península Ibérica e no Magreb (500-1500). Actas do Simpósio Internacional sobre Castelos, Lisboa, Edições Colibri / Câmara Municipal de Palmela, 2002, pp. 369-383; António Rafael Carvalho et al., “O castelo de Alcácer do Sal. Um projecto de arqueologia urbana”, Bracara Augusta, vol. 46, 1994, pp. 215-264; Idem, Alcácer do Sal Islâmica. Arqueologia e História de uma Madina do Garb Al-Andalus (Séculos VIII-XIII), Alcácer do Sal, 2004; José António Amaral Trindade Chagas, O Castelo de Alcácer do Sal e a utilização de taipa militar durante o domínio Almôada, Évora, 1995.
Linkshttp://igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70159/
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3440
http://www.discoverislamicart.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;34;pt


Categoria(s)Arquitetura
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