Património

Castelo e muralhas de Silves

LocalSilves / Silves
DesignaçãoCastelo e muralhas de Silves
CronologiaSéc. VIII-IX
DescriçãoO castelo de Silves é uma das principais fortificações muçulmanas em Portugal. Principiada a construção nos inícios da dominação islâmica na Península Ibérica, sucederam-se reformulações até ao séc. XI, momento de apogeu de Silves, quando, sob o governo de Al-Mutamid, se torna capital de taifa. Deve datar deste período a configuração geral do perímetro amuralhado que se manteve até hoje. Tem 3 portas e uma rede viária interna cruzada com duas ruas principais. Quanto à construção em altura, esta deve datar da época almóada, quando, nas vésperas da conquista cristã, uma campanha de obras conferiu o aspecto geral dos volumes da fortaleza. Sólido aparelho de taipa militar com torres albarrãs quadrangulares, cujos cunhais foram reforçados de silharia. Sistema defensivo organizado em duas grandes áreas: a alcáçova, erguida no alto do cerro e protegida por 11 torres quadrangulares; e a medina, que se ligava à alcáçova por uma porta protegida por duas torres, rodeando quase toda a cidade. A Porta da Almedina, apesar de muito alterada durante a época cristã, é uma estrutura maciça, protegida por duas torres de tipo albarrã e de configuração em cotovelo. Na alcáçova, numa área de algumas dezenas de metros, foram descobertas estruturas habitacionais cuja ocupação se prolongou até á Reconquista. As alterações posteriores não desvirtuaram a concepção geral da fortaleza muçulmana, mantendo-se alguns panos da muralha original quase intactos. Porém, uma intervenção nos anos 30 e 40 do séc. XX desobstruiu os panos de muralhas, refez algumas torres e acabou por destruir os restos do Palácio Almoada, ou "Palácio das Varandas", junto à Porta da Almedina (ou de Loulé), citada por al-Mutamide num poema evocativo de Silves. Trata-se de um caso único no panorama nacional, quer por não se conhecerem outros testemunhos de palácios islâmicos, como por se tratar da única residência palatina documentada literariamente no extremo ocidental do Gharb. Era um edifício rectangular, com espaços anexos de armazenamento, cujo conjunto atingia uma área de c. 320 m2. Os vestígios, hoje conservados no Museu Municipal de Arqueologia de Silves, permitem reconstituir o espaço habitacional, com amplas salas, alcovas, banhos privados, pátios e jardins, um dos quais porticado e com galeria superior. Os revestimentos dos solos (mármores e ladrilhos), das paredes e arcarias e os estuques finamente trabalhados testemunham o carácter apalaçado que teria o edifício original.
BibliografiaCláudio Torres e Santiago Macias, O legado islâmico em Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores, 1998, pp. 202-204; Maria da Conceição Amaral, "Muralha Islâmica", in Discover Islamic Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014; Rosa Varela Gomes e Mário Varela Gomes, Palácio Almoada da Alcáçova de Silves. Catálogo, Lisboa, Museu Nacional de Arqueologia, 2001; Maria José Gonçalves, "Novas problemáticas relacionadas com a topografia da cidade islâmica de Silves", Arqueologia Medieval, n.º 11, 2010, pp. 121-140; Rosa Varela Gomes, "O Castelo de Silves – Contributos da investigação recente", Xelb, 9 (Actas do 6º Encontro de Arqueologia do Algarve), 2009, pp. 477-488; Maria José Gonçalves e Ana Luísda Santos, "Novos testemunhos do sistema defensivo islâmico de Silves e os restos osteológicos humanos encontrados junto à muralha de um arrabalde – notícia preliminar", Xelb, 5 (2º Encontro de Arqueologia do Algarve), 2005, pp. 177-200; Rosa Varela Gomes, "Estruturas defensivas medievais de Silves", Mil Anos de Fortificações na Península Ibérica e no Magreb (500-1500). Actas do Simpósio Internacional sobre Castelos, Lisboa, Edições Colibri / Câmara Municipal de Palmela, 2002, pp. 325-336; Rosa Varela Gomes, “Da Silves islâmica à Silves da expansão. A evidência arqueológica”, Monumentos, n.º 23, 2005, pp. 22-29; Idem et al., "Testemunhos arqueológicos da conquista cristã da alcáçova de Silves em 1189", V Jornadas Arqueológicas, Lisboa, 1994, pp. 203-212; Teresa Valente, “O(s) centro(s) histórico(s) de Silves”, Monumentos, n.º 23, 2005, pp. 46-51; Natércia Magalhães, Algarve – Castelos, Cercas e Fortalezas, Faro, 2008; J. A. Alegria, Itinerários da Terra: inventariar o património de arquitectura em terra – contributo para um inventário do concelho de Silves, Faro, 2002.
Linkshttp://igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70541/
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1288
http://www.discoverislamicart.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;15;pt


Categoria(s)Arquitetura
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