Património

Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha

LocalIdanha-a-Nova / Idanha-a-Velha
DesignaçãoMesquita-Catedral de Idanha-a-Velha
CronologiaFinais do séc. IX
DescriçãoDurante muitos anos, foi considerado um edifício visigótico, dada a proximidade face a outras basílicas visigóticas, tal como pela descoberta, em 1962, de um baptistério paleocristão. Segundo Fernando de Almeida, a igreja de Idanha-a-Velha corresponderia à antiga catedral visigótica de Egitânia. Em 1992, Cláudio Torres propôs que o edíficio teria sido originalmente uma mesquita, provavelmente mandada edificar pelo rebelde Ibn Marwān. Aliás, nas Memórias Paroquiais, em 1758, era afirmado que esta igreja tinha sido, no passado, "mesquita de mouros". Esta tese é também suportada pela própria orientação do edifício, no sentido Nordeste-Sudoeste, pouco comum para um templo cristão do século VI, ainda mais se catedral. Segundo Torres, tal como acontecera com a mesquita de Mértola, a orientação do edifício foi corrigida após a conquista cristã, acabando por se adaptar a altar-mor uma capela orientada a Sudeste. Quanto ao baptistério, Torres considera que deveria pertencer a uma construção anterior ao edifício actual, a qual também integraria os elementos arquitectónicos encontrados nas sondagens arqueológicas e outros que foram reaproveitados para cantarias do templo. A tipologia do edifício apresenta paralelos com a grande mesquita omíada de Damasco, nomeadamente na planta composta por uma nave central e duas colaterais. O mihrāb estaria no centro da capela colateral sul, uma capela abobada que se destaca pela sequência de arcos frontais. O paralelismo das técnicas construtivas com as da igreja de São Pedro de Lourosa, nomeadamente na sua integração na corrente clasicizante do Ocidente Peninsular, reforçaram a proposta de uma cronologia mais tardia do que a época visigótica. Porém, recentes descobertas questionam a proposta de Torres. A dúvida persiste: uma igreja com claros elementos de inspiração islâmica ou uma mesquita construída à maneira cristã?
BibliografiaCláudio Torres e Santiago Macias, O legado islâmico em Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores, 1998, pp. 78-79; Idem, "Mesquita Catedral de Idanha-a-Velha", in Discover Islamic Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014; Paulo Almeida Fernandes, "Ecletismo. Classicismo. Regionalismo. Os caminhos da arte cristã no Ocidente peninsular entre Afonso III e al-Mansur", Muçulmanos e cristãos entre o Tejo e o Douro (sécs. VIII-XIII), Palmela, Porto, Câmara Municipal de Palmela, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2002, p. 299; Luis Caballero Zoreda, "Aportaciones de la lectura de paramentos a la polémica sobre la Sé de Idanha-a-Velha", Al-Ândalus. Espaço de Mudança. Balanço de 25 anos de história e arqueologia medievais. Seminário Internacional, Mértola, 16 a 18 Maio de 2005, Mértola, Campo Arqueológico de Mértola, 2006, pp. 266-273; João Pedro Oliveira Gomes, "Subsídios para o estudo da ocupação islâmica no Centro de Portugal", Xelb, 9 (Actas do 6º Encontro de Arqueologia do Algarve), 2009, p. 560, Cláudio Torres, “A Sé Catedral da Idanha”, Arqueologia Medieval, n.º 1, 1992, pp. 169-178; Manuel Luís Real, "Inovação e resistência: dados recentes sobre a antiguidade cristã no Ocidente Peninsular", IV Reunió D'Arqueologia Cristiana Hispànica, Barcelona, Institut d'Estudis Catalans, 1995, pp. 66-67; Paulo Almeida Fernandes, "Antes e depois da Arqueologia da Arquitectura: um novo ciclo na investigação da Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha", Artis, n.º 5, pp. 49-72; Idem, A Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha, Lisboa, 2001; José Cristóvão, A aldeia histórica de Idanha-a-Velha. Guia para uma visita, Idanha-a-Nova, 2001; Artur Manuel de Castro Corte-Real, Idanha-a-Velha. Memórias em imagens, Idanha-a-Nova, 2000; F. De Almeida, Egitânia história e arqueologia, Lisboa, 1956.
Linkshttp://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/73340/

http://www.discoverislamicart.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;5;pt

Categoria(s)Arquitetura
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