Património

Castelo de Tavira

LocalTavira / Tavira
DesignaçãoCastelo de Tavira
CronologiaSéc. XI
DescriçãoA localização do primeiro assentamento islâmico em Tavira tem dividido opiniões: nas proximidades do Alto de Santana entre finais do século X e inícios do XI, segundo Maia, ou na alcaria de Jilla ou Gillah na margem esquerda do Gilão, de acordo com Khawli e Tahiri. A construção do hisn deu-se na margem direita do rio, para proteger a povoação que estaria estabelecida na outra margem. Este teria uma planta sub-quadrangular ou sub-rectangular, dotada de torres nos cantos e à entrada e foi construído na segunda metade do século IX. Assim, ao longo do século XI, há uma transferência de população para a margem direita do Gilão. Com a unificação almóada, Tavira foi um dos castelos reformados, passando a integrar a rede defensiva do Algarve. Nesta segunda fase construtiva, o perímetro amuralhado é alargado e as muralhas previamente existentes são reforçadas e restauradas. Tratava-se de uma fortificação em taipa, com uma altura média de 10 metros e 3,5 metros de espessura, defendida por diversas torres de planta sub-quadrangular e rectangulares adossadas à muralha e outras de tipo albarrã. Actualmente, a muralha islâmica encontra-se praticamente desaparecida ou integrada em construções posteriores. Porém, escavações têm vindo a descobrir alguns tramos da muralha, entre os quais um pano de muralha na zona do Edifício BNU, junto à Praça da República. Foi aqui descoberta uma antiga porta, com arco de ferradura. Outro dos poucos vestígios ainda visíveis é uma torre albarrã octogonal, em alvenaria de pedra, edificada no período almóada, que integraria um conjunto de quatro torres (duas na Bela Fria e uma junto à ponte, a Torre do Mar, já desaparecidas). Em 2005, foi descoberto no bairro da Bela Fria um troço de muralha islâmica em taipa, ocultado por aparelho manuelino, que Manuel Maia identificou como sendo parte de uma barbacã com cerca de 140 metros de comprimento. Escavações arqueológicas levadas a cabo no espaço intramuros, nas áreas do Convento da Graça, Pensão Castelo, solar dos Côrte-Real e Terreiro do Parguinho, têm revelado indícios de uma importante ocupação no período almoada, tendo sido exumada cerâmica vidrada a melado e a verde, candeias de câmara aberta, caçoilas com aplicações plásticas, além da cerâmica comum e outra decorada com a técnica de corda seca.
BibliografiaCláudio Torres e Santiago Macias, O legado islâmico em Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores, 1998, pp. 213-216; Helena Catarino, O Algarve Islâmico. Roteiro por Faro, Loulé. Silves e Tavira, Faro, Comissão de Coordenação da Região do Algarve, 2002, pp. 31-32; Cristina Garcia, “Castelo e Mesquita de Tavira” in Discover Islamic Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014; Ahmed Tahiri, "Tavira y su entorno, cuna del misticismo popular en al-Andalus", Tavira Islâmica. Núcleo Islâmico Museu Municipal de Tavira. Catálogo, Tavira, Câmara Municipal de Tavira, 2012, pp. 7-19; Manuel Maia, "Tavira nas segundas Taifas", Tavira Islâmica. Núcleo Islâmico Museu Municipal de Tavira. Catálogo, Tavira, Câmara Municipal de Tavira, 2012, pp. 21-26; Sandra Cavaco e Jaquelina Covaneiro, "De Balda a Mādina: Tavira sob o domínio almoada", Tavira Islâmica. Núcleo Islâmico Museu Municipal de Tavira. Catálogo, Tavira, Câmara Municipal de Tavira, 2012, pp. 29-39; Tânia Diniz, Jaquelina Covaneiro e Sandra Cavaco, "Formas de cerâmica almoada provenientes do Convento da Graça (Tavira)", Arqueologia Medieval, 12, 2012, pp. 169-177; Sandra Cavaco e Jaquelina Covaneiro, "Um (novo) olhar sobre a Tavira Islâmica", Xelb, 9 (Actas do 6º Encontro de Arqueologia do Algarve), 2009, pp. 436-443; Luís Campos Paulo, "Medina Tavira e o Povoamento Islâmico do Sudeste Litoral Algarvio", Xelb, 9 (Actas do 6º Encontro de Arqueologia do Algarve), 2009, pp. 579-584; Manuel Maia, "A Barbacã da Muralha de Tavira", Xelb, 6 (Actas do 3º Encontro de Arqueologia do Algarve), 2006, pp. 41-50; Sandra Cavaco, Jaquelina Covaneiro e Gonçalo Lopes, "O Bairro Almóada do Convento da Graça (Tavira)", Promontoria Monográfica, 11, 2008, pp. 51-62; Luís Campos Paulo, Tavira Islâmica. A Cidade e o Território, Lisboa, FCSH-UNL, 2006 (tese de mestrado);Eva von Kemmitz, "Presença árabe em Tavira", II Jornadas de História de Tavira – Tavira do Neolítico ao século XXX, 1994, pp. 109-118; Valdemar Coutinho, Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve, Faro, 1997.
Linkshttp://igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70656/
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2833
http://www.discoverislamicart.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;25;pt

Categoria(s)Arquitetura
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